Diante das obras simbolistas a “mensagem” deve ser deixada
de lado. Devemos observar as musicalidades, conotações e estado emotivo do
poeta, para facilitar a identificação de uma obra simbolista é interessante que
resumamos suas características em cinco pontos.
1. Expressão indireta de idéias e emoções;
Para os
autores simbolistas a realidade deve ser expressa de maneira vaga, imprecisa,
nebulosa (contrastando com seus antepassados, os movimentos
Realistas-Naturalistas)
Associamos
a essa característica alguns pontos:
- A
utilização da ambigüidade com recurso literário;
- Fuga da
lógica discursiva;
- Amplo uso
de metáforas e Sinestesias (sinestesia é uma alteração psicológica de inversao
dos sentidos, como sentir o cheiro de sons, o gosto de formas, etc... Na
literatura simbolista é um recurso apelativo que atribui características às sensações
humanas);
-
Hermetismo (a difícil compreensão dos textos simbolistas);
- Plano
Sintático-Vocabular, quanto a este ponto podemos listar:
-
O uso de vocábulos místicos e litúrgicos (alma, infinito, missal, salmos,
ângelus, etc.);
-
Emprego de inciais maiúsculas fora das condições usuais, para destacar termos e
enfatizar a função alegórica dos vocábulos;
-
Exploração de figuras de linguagem;
-
“Alquimia Verbal” termo que caracterizava a preocupação simbolista com a
linguagem sugestiva e evocativa;
“Nomear um objeto é
suprimir três quartos do prazer do poema que é feito da felicidade em adivinhar
pouco a pouco; sugeri-lo, eis o sonho... Deve haver sempre enigma em poesia, e
é o objeto da literatura – e não há outro – evocar objetos”
Mallarmé
2. Expressividade sonora;
“Antes de qualquer coisa, a música”
Verlaine
Esse é um
dos postulados do autor (Verlaine) que expressa o apego pela musicalidade
adotada por todos os autores simbolistas. Valorizam o ritmo e a musicalidade
nas poesias e abusando de recursos como as aliterações (repetição de fonemas
para sugestão de um som – vide Violões que Choram); assonâncias e ecos
que aproximavam a poesia da música e afastava-a de tudo que era concreto.
3. Subjetivismo profundo;
Os autores
simbolistas pouco se importavam com a realidade objetiva, característica essa
que possibilitou o resgate ao ultrarromantismo (O Mal do século, segunda fase
romântica) ao trazer a ideia de um ‘eu’ que não fosse tão superficial quanto o
‘eu’ romântico, adicionar mais carga emotiva devido ao pessimismo
ultrarromântico, o isolamento do autor a uma busca de uma realidade interior e
própria;
4. Misticismo e Espiritualismo;
Aliado ao
desejo de um mundo ideal os simbolistas surgiu a crença mística dos autores
dessa época. Acreditavam na existência de um mundo perfeito e que esse não
passava de uma representação imperfeita que seria transposta pela poesia deles.
Além disso
era comum confrontos entre os conceitos de matéria e espírito, procura da purificação e referências a
regiões etéreas e espaços infinitos
(o ‘céu’).
(o ‘céu’).
5. Abstração e Preocupação;
Nascido no
seio do Parnasianismo e parcialmente contemporâneo a ele o Simbolismo acabou
adquirindo uma preocupação formal e descompromisso com a realidade mundana,
afastando a escola dos problemas sociais e aproximando do egocentrismo
subjetivo;
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